31.10.2006

I'm just a soul who's intentions are good.

Porto Alegre, meio dia, Av. Loureiro da Silva, mais conhecida como Perimetral, cruzamento com Aureliano de Figueiredo Pinto. Vários veículos aguardam pacatamente no semáforo quando uma viatura da Brigada Militar bloqueia a passagem e dois policiais militares descem de arma em punho. Dentre os 15 carros parados e impedidos de se movimentarem pelo bloqueio, há um veículo suspeito. Os policiais apontam as armas para dentro do carro, gritam para os suspeitos descerem e colocarem as mãos na cabeça, o que, por sorte, acontece.

Ticcinha estava num dos outros carros e viu a cena pelo retrovisor sem poder arrancar, correr, se esconder ou fugir, enquanto imaginava o que poderia ter acontecido se os suspeitos estivesse armados e reagissem, ali, no meio daquele povo todo embretado.

A pergunta que não quer calar é: Isso é jeito de abordar um veículo suspeito, senhoras e senhores?
Esse é o procedimento padrão a ser adotado pela Brigada Militar?
Numa hora dessas a gente deve fazer o quê? Correr? Se deitar no banco? Sair com as mãos na cabeça? Rezar?

Putaquemeparil. Fiquei pasma, PASMA. E tô tremendo até agora.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 15:22 de 31.10.2006
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Momento Volver a La Reina Madre, medio Almodóvar, medio Medem.















Volver.

Yo adivino el parpadeo/ de las luces que a lo lejos/ van marcando mi retorno/ Son las mismas que alumbraron/ con sus pálidos reflejos/ hondas horas de dolor/ Y aunque no quise el regreso/ siempre se vuelve al primer amor/ La quieta calle donde el eco dijo/ "Tuya es su vida, tuyo es su querer"/ bajo el burlón mirar de las estrellas/ que con indiferencia hoy me ven volver./ Volver/ con la frente marchita/ las nieves del tiempo/ platearon mi sien/ Sentir/ que es un soplo la vida/ que veinte años no es nada/ que febril la mirada/ errante en las sombras/ te busca y te nombra/ Vivir/ con el alma aferrada/ a un dulce recuerdo/ que lloro otra vez/ Tengo miedo del encuentro/ con el pasado que vuelve/ a enfrentarse con mi vida/ Tengo miedo de las noches/ que pobladas de recuerdos/ encadenan mi soñar/ Pero el viajero que huye/ tarde o temprano detiene su andar/ Y aunque el olvido que todo destruye/ haya matado mi vieja ilusión/ guarda escondida una esperanza humilde/ que es toda la fortuna de mi corazón.
(Gardel/ Le Pera)






Fotas dela, pois quem tem mãos de fada, tem até com máquina fotográfica.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:03 de 31.10.2006
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30.10.2006

Teu nome.

No Não Discuto.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:31 de 30.10.2006
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Quebra-queixo



Quem escolher assistir o filme pelo seu horrendo nome em português - meninamá.com - na esperança de ver sedução lolítica de bonitão com quase o dobro da idade e regozijar-se com cenas picantes entre recém-adolescente e adulto, terá um susto e uma (grata) surpresa. Hard Candy traz escassez de elenco e de locação e superabundância de roteiro, interpretação e fotografia. O cartaz do filme insinua - quase declara - o que se pode esperar: isso mesmo. E, ainda assim, o filme surpreende.

No papel da própria balinha dura, Ellen Page brinda o espectador com uma performance paradoxalmente fresca e madura. A sua menina tem o olhar mais idoso do que o próprio tempo, num rostinho infantil de tenra pele sardenta. Patrick Wilson tampouco desaponta, emprestando a necessária verossimilhança e dúvida acerca do seu fotógrafo. Talvez também por trazer um profissional da área como personagem, a fotografia do filme é nada menos do que primorosa: cada cena merecia papel couché em folha A5. E, como não podia deixar de ser, o roteiro contempla o público com várias auto-referências e wordplays: o café Nigthhawks, a obra de Hopper e a fúria da estética do design nas tomadas internas, esta última em contraste com o mundo 'real' exterior.

Não perca - e deixe-se envolver pela estética dos créditos iniciais, eles são o antepasto visual do filme.


Curioso como todos agora fazem sua versão da chapeuzinho, não? Serão blogueiros todos esses roteiristas/produtores/profissionais da animação?
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 12:26 de 30.10.2006
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De ratos e frestas.




Sei que me espreitas do teu mundo,
pelas frestas da tua casa,
pelos buracos no assoalho
que o tempo vai abrindo,
e vais me possuindo
em nesgas, em tiras,
e vou sentindo teus olhos
me devorando às fatias.
A cada bocada,
cresço mais um pouco,
ergo mais uma torre,
lanço mais uma ponte.
E tu te esgueiras,
por entre o madeirame do telhado,
e espias como um rato,
para me ver passar.





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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:51 de 30.10.2006
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Uououououou.

Fim de semana de dois dias que pareceram uma semana, de tanta coisa boa e tudo e tal.


Sexta-feira dilíça com Denize linda, bolsas lindas (eu comprei mais três e uma sapatilha) e decretei falência definitiva e irrevogável. Aquela blasfema, herege, ardilosa, onde se viu, fez botom de Audrey Hepburn pra mim. Ela me entope de xampã e mimos e eu me esbaldo nas bolsas. Bah.


Falzucaaaaaaaaaaaa, ela dormiu lá em casa, viu? Lá em casa. Comigo e Hildolina e 11 bolsas leeeeeendas. E eu dei bem casados pr'ela de presente. E a gente tomou café da manhã no Armazém da Esquina, numa rua linda, cheia de árvores. Toma. Bem feito pra ti que não veio me visitar.


Depois teve tarde de bolsas e gentes lindas, elegantes e sinceras, com mil folhas, mais bem casados, mais café, mais xampã e mais tudo tudo tudo. Teve JL, Leila, Geisa, Jocieli, Michele, Ana a Roberta, Jojo e muito mais. Teve Belly, inclusivemente, que resume tudo de mais lindo no mundo. Denize tirou fotas, amanhã eu mostro. De brinde, eu cheguei em casa lívida e alegrinha e assisti The Hunger. Bah.


Depois de dormir 12 horas seguidas, almoço com Facelo, café com, claro, homi do café, e depois Una giornata particolare. Tem jeito de terminar melhor um fim de semana desses? Tem, claro, mas na falta disso no menu, tava bão dimais da conta.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:18 de 30.10.2006
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Me abana.

Ticcia com cara de mocinha ingênua + Calexico com cara de lobo mau + xampã.
Isso definitivamente eleva o nível da minha progesterona.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:49 de 30.10.2006
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29.10.2006

Una giornata particolare.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 21:20 de 29.10.2006
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28.10.2006

E sobre nós este tempo futuro urdindo a grande teia.


Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jugo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.



(Hilda Hilst, Prelúdios-Intensos para os Desmemoriados do Amor,
in Júbilo, Memória e Noviciado da Paixão)



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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 22:37 de 28.10.2006
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27.10.2006

Bom fim de semana.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 15:36 de 27.10.2006
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Hoje e amanhã.

Acabei de chegar do café da Oca, tava lá com Denize.

Vocês não imaginam, pessoas. Não imaginam. Vocês não têm a mínima idéia. Creiam, não têm. Não. Nada. Naaaaaaaaaada. Tem bolsas. E mais bolsas. E mais bolsas. Bolsinhas, sacolas, bolsas, saquinhos...Lindas. Leeeeeeeeeeeeeeendas. De desesperar. De vender a mãe. De falir. E botons. Da Audrey. Da Bette Davis. Do Ronnie Von. Tem flores de renda bordadas pra pôr no cabelitcho, pra usar na lapela, para usar na bolsa e matar a concorrência de infarte. Tem sapatilhas. Tem sandálias. De pois, bordadas, pespontadas. E sabe o que mais? Tem os livros da Fal. Os dois. Os dooooooooooooooooois.

Eu consegui sair de lá, inacreditavelmente. E agora vou passar na farmácia e comprar DOIS lexotan. DOIS. E depois voltar pra lá, claro, que eu não sou besta.



Tá esperando o quê? Corre lá.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 14:43 de 27.10.2006
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Tua poeira.


Helder Almeida






Garimpo teus gestos nas multidões, teu olhar, tuas mãos, teu andar, te vejo não te vendo nos que passam, te encontro me perdendo nos outros, te toco não te tocando na pele de muitos, te sentindo sem te sentir a todo momento. Te sinto presente em tua ausência que preencho com a presença avessa dos que passam por mim sem me saber. Tua sombra toca tudo e em tudo floresce tua marca, tuas pegadas de musgo e besouros, de borboletas e formigas fecundando o solo úmido do mundo, pensamentos semeados de ti. Meus campos florescem cheios de tuas lembranças, deles levo braçadas do trigo que nasceu e vou enchendo minha casa com o cheiro dos teus grãos, com a palha de tua cama, com o sol da tua manhã. Com ele mato a minha fome, de vida, de luz, de teu leito, de tua pele, do teu pão.







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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:47 de 27.10.2006
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Yeda tem 49%, contra 42,2% de Olívio, aponta pesquisa no RS.

A candidata Yeda Crusius (PSDB) tem 49% da intenção de voto e Olívio Dutra (PT) possui 42,2%, segundo pesquisa do CPCP (Centro de Pesquisas Correio do Povo), divulgada hoje no jornal Correio do Povo. Votos brancos ou nulos somam 4%. Não souberam responder representam 3,9%.

Na pesquisa anterior, realizada nos dias 18 e 19, Yeda tinha 55%. Olívio, 37,9%. O percentual de eleitores indecisos ou que ainda não sabem em quem votar foi de 9,7% do total de entrevistados.

Em votos válidos, na pesquisa atual, Yeda tem 54,2% da intenção de voto, uma queda de cinco pontos percentuais em relação à sondagem anterior, quando registrou 59,2%. Olívio subiu cinco pontos percentuais, passando de 40,8% para 45,8%.

Foram entrevistados 3.000 eleitores em 130 municípios gaúchos nos dias 25 e 26. A pesquisa está registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sob o nº 063044/2006.

Daqui e daqui.


A essa altura do campeonato, cada ponto valem dois, uma vez que cada ponto que Olívio ganha, é um ponto que Yeda perde.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 10:17 de 27.10.2006
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U-huuuuuuuuuuuuuu.


GIANECHINNI SOLTEIRO



Valeu, Toninho!! Continue assim, meu garoto!

FICHA UM!







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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:37 de 27.10.2006
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Da série Pra facilitar, a gente desenha: Prestenção, Toninho!


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:34 de 27.10.2006
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Feliz ano velho.

Hoje começa a Feira do Livro de Porto Alegre. Sempre achei essa época a mais bonita da minha cidade. Lá já estão os jacarandás, o bistrô do MARGS e o chope, o céu azul quase lilás, as pedras portuguesas dos caminhos, as tendas dos sebos, o cheiro de pipoca doce, o Memorial, as páginas grudadas dos livros novos, as sacolas que pesam nos braços, um ruído bom de quem passa.
Tão triste.


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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:22 de 27.10.2006
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Na prorrogação.

Gol da vitória do tricolor gaúcho aos 47 do segundo tempo. Ouvi o vizinho colorado gritar: - Púúúúúúúúúúúúúúúúúú!

Assim é que eu gosto.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:02 de 27.10.2006
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26.10.2006

Nojo

Existe uma figura estranha chamada 'nojo' - se pronunciava curiosamente nÓjo - que é um tipo de luto. Antigamente, quando se concedia licença de uns oito dias para o servidor público que perdeu familiar. Hoje, provavelmente é chamada de licença-funeral ou qualquer outra coisa tão prosaica quanto.

Existem figuras estranhas que passam pela nossa vida e pensam que podem fazer o que bem entendem - e quase sempre não entendem nada. Bobamente, ou por afeto mesmo, nos deixamos levar pela melodia da dança esquizofrênica deles, em nome da bobice atroz e desenfreada de acreditar no implausível ou por ter sido fisgada na parte mais amanteigada do coração. Quando se vão, além de alívio, essas pessoas deixam o nojo. O nojo enquanto luto de nós mesmos e o nojo enquanto repulsa pelo que deixamos que fizessem conosco.

Eu tenho nojo. Muito. Tanto, mas tanto, e tamanho, que não quero lhe ouvir o nome, saber o rosto, cruzar o caminho, ouvir notícias. A sua vida e a sua morte me fazem o mesmo efeito: nenhum. Porque quero apenas distância, a maior e mais proverbial possível, de si e dos seus associados e da sua descendência.

Há um conto maravilhoso de F. Scott Fitzgerald, Bernice bobs her hair, em que a protagonista experimenta sensação idêntica.

Porém, não sou Bernice. Não sou.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 20:18 de 26.10.2006
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É AMANHÃ, MEU POVO!



Todo mundo lá, hein?
Eu chego já ao meio dia pra fazer fundunço com a Denize.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:40 de 26.10.2006
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Fome.



Há muito tempo eu procuro esse filme. Assisti aos 12 anos, suponho, e fiquei em estado de choque com a estética, o clima, a sensualidade, as metáforas, tudo.

Hoje ele me deu o DVD de presente. A proposta agora é fazer uma refilmagem. Em vez de Bowie, Deneuve e Sarandon, Alex, Ticcia e Belly. Surtei? Provável, mas vocês não viram naaaaaaaada. Muita inspiração nessa hora, viu? Oxe.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 14:22 de 26.10.2006
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Olívio dispara e encosta em Yeda no RS, aponta pesquisa.

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26) pelo instituto Methodus aponta redução de 19 pontos na distância entre Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT). Em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto, a candidata tucana caiu de 59,1% para 49,2%, enquanto Olívio subiu de 34% para 43,1%.

Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
(26/10/2006 )


PORTO ALEGRE - Saíram os números da nova pesquisa do Instituto Methodus, encomendada pela revista Voto, sobre a disputa para o governo gaúcho. Olívio Dutra (PT) disparou e encostou em Yeda Crusius (PSDB). A candidata tucana aparece com 49,2% das intenções de voto e Olívio subiu para 43,1%. Na pesquisa anterior, divulgada na semana passada, Yeda tinha 59,1% e Olívio 34%, no levantamento estimulado. A vantagem, que era de 25,1 pontos na semana passada caiu para 6 pontos percentuais. O índice de indecisos está em 4% e o de brancos e nulos em 3,8%.

A pesquisa foi realizada nos dias 23, 24 e 25 de outubro, entrevistando 2200 eleitores de 50 cidades gaúchas. A margem de erro é de 2,3 pontos percentuaispara mais ou para menos. O levantamento está registrado no TRE sob o nº 63.082/2006.

Segundo esses números, Yeda estaria perdendo cerca de um ponto por dia. Mantida esta tendência nos quatro dias que faltam até a eleição, Olívio chegaria ao dia 29 com 46,7% contra 45,2% de Yeda. O resultado da pesquisa surpreendeu inclusive aliados da candidatura tucana, como o jornalista Políbio Braga, que comentou em seu site: "A queda de Yeda e o avanço de Olívio são surpreendentes, o que quer dizer que Olívio Dutra poderá virar a eleição no RS até domingo".

O crescimento de Lula no Sul
O resultado da pesquisa do instituto Methodus confirma a tendência de crescimento da candidatura Lula também no Rio Grande do Sul. A pesquisa do Datafolha divulgada terça-feira no Jornal Nacional confirmou o crescimento de Lula em todo o país. O maior índice de crescimento se deu justamente na região Sul. A propósito deste crescimento, o jornalista Franklin Martins observou:

"Embora nessa região Lula continue atrás de Alckmin, a virada aí foi ainda mais forte do que no resto do país. Na primeira semana de outubro, o candidato tucano tinha 26 pontos de vantagem sobre o petista (63% a 37%). Hoje, a diferença está reduzida a 6% (placar de 53% a 47% para Alckmin). Tudo somado e subtraído, o deslocamento eleitoral favorável a Lula no Sul teria sido de 20 pontos, quatro pontos percentuais acima do que se verificou no Sudeste e oito pontos acima do que se registrou no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste. Ou seja, se as urnas confirmarem os números do Datafolha, que, aliás, estão em linha com os de todos os outros institutos, Lula se reelegerá vencendo na maioria das regiões e dos estados brasileiros. Não teremos, assim, um país dividido entre vermelhos ao Norte e azuis ao Sul, como chegaram a sugerir alguns analistas mais rápidos no gatilho do que certeiros na pontaria".



Olha, quando deu Olívio e Yeda eu disse duas coisas: 1) que o Bigode tinha mais chance de vencer a senhora essa do que de vencer o Botox e 2) que se eu confiava na capacidade de um político ganhar de virada, esse político era o Olívio. Tomara.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 14:10 de 26.10.2006
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Todas as cores.

Assisti ontem La flor de mi secreto e Volver. Esse senhor, o Pedro, fala uma língua muito parecida com a minha, como os olhos, com as mãos, com as tristezas, com os segredos, com as dores, com a maneira única de ver a cumplicidade que permeia as relações, seja ela sadomasoquista, homossexual, feminina, materna, amorosa, sexual ou de amizade. Nos filmes dele, ninguém é vítima, bandido, bom, mau, santo, louco. Todos são cúmplices. E suponho que as mulheres da vida dele, como as mulheres da minha vida - a exemplo do que disse vó Nininha, são todas feitas de força.

A propósito: tive ontem uma idéia vaga, imprecisa e rascunhada de como seria o meu primeiro romance.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:29 de 26.10.2006
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25.10.2006

Pecar.

Eu tenho um pecado novo de lábios e olhos, manso que esconde os dentes, um pecado molhado e cheio de sumos. Eu tenho um pecado novo que vive ao redor da minha cintura, traz a lembrança dos meus seios nas mãos como quem vive a carregar taças repletas, conhece os gostos que me permeiam em cada dobradura e viu de que cores minha pele é feita. Eu tenho um pecado novo que se esconde sob a minha saia e lambe as minhas pernas, enreda os meus cabelos de propósito e ri comigo quando a escuridão do quarto faz um silêncio morno de amantes. Eu tenho um pecado novo que me chama por outros nomes, que me ama de outros jeitos, que me põe umas febres e umas ardências como quem me borda o corpo com jóias. Eu tenho, sim, um pecado novo para fazer pecados em mim.


Ouvir Bethânia depois.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 13:56 de 25.10.2006
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Ainda.

Uma outra coisa que me tira do sério quando volta-se ao debate da legalização do aborto é a idéia de que só engravidam sem querer as irresponsáveis, loucas, putas, sem vergonhas que não conseguem conter o furor uterino e saem dando por aí a torto e à reveria porque, ou não têm nada melhor pra fazer, ou têm merda dentro da cabeça e fogo no rabo. E que essas mesmas criaturas irresponsáveis e sem os mínimos bons modos, senso e equilíbrio emocional, uma vez tendo a chancela legal para abortarem tantos filhos quantos fabricarem, vão recorrer a esse expediente (leia-se ter um feto sugado das entranhas, com o útero a virar do avesso) cada vez que ficarem grávidas, ou seja, três ou quatro vezes por ano. Isso só não me emputece mais do que o argumento de que se foi doida, irresponsável, tarada, maníaca, burra, desinformada e imbecil para fazer, que agora “arque com as conseqüências”, onde arcar com as conseqüências significa dizer que a doida, irresponsável, tarada, maníaca, burra, desinformada e imbecil deve parir, criar, educar, alimentar, amar e tornar um filho que ela não queria, um ser humano capaz de ser algo que não seja merda.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 11:57 de 25.10.2006
comentários (36)

Outro intervalo.

Uma das coisas que me tiram realmente do sério quando volta-se ao debate da legalização do aborto é a idéia que se quer disseminar que, uma vez tornada legal a interrupção voluntária da gravidez, ninguém mais vais se preocupar com anti-concepção e que, na infelicidade de engravidar, a mulher marcará dia e hora, vestir-se-á condizentemente para a ocasião, se lambuzará de batom-blush-sombra cintilante Avon beige capuccino, irá lá tirar um filho, bem linda, bem tudo e, depois, radiante, aliviada e feliz da vida, irá dar uma volta no xópim, tomar um chá com as amigas ou fazer uma hidratação no cabelo enquanto dá uma olhada na última Caras.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:55 de 25.10.2006
comentários (21)

24.10.2006

Intervalo para a blasfêmia.

Abre parênteses. Com a devida licença, às vezes eu acho que se eu acreditasse em deus, concluiria que ele é um grandissíssimo de um fdp.

E por favor, me poupem dos comentários evangelizadores. Fecha parênteses.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:14 de 24.10.2006
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Para que conste.

Eu gosto: de pão com lingüiça, de chinelo de dedo, de cheiro de fruta, de achar que vens logo, de café com preguiça, de ficar nua e sentar no teu colo.

Eu não gosto: de luz fluorescente, de etiqueta na roupa, de salsa no dente, de sapato molhado, de papel de parede, de vôo atrasado sem você ao meu lado.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 15:55 de 24.10.2006
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Ela, com E maiúsculo.




Começaram a ser vendidos HOJE os ingressos para o show de Maria Bethânia, lançamento de dois CD's simultâneos, Pirata e Mar de Sophia, dias 18 e 19 de novembro, no Teatro do SESI.
Maiores informações aqui.

Ticcia já adquiriu o seu, e-vi-den-te-men-te.
Adivinha quem vai juntoooooooo? Ele.







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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 14:30 de 24.10.2006
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Eba, eba, eba.



Aí, povo. Boramandá mail pras conhecidas, fazer propaganda, divulgação.
O Natal taí e é uma ótima pedida dar Bolsas La Reina Madre de presente. Não tem sogra que resista, não tem mãe que não se desmanche, não tem irmã que não faça as pazes, não tem cunhada que não passe a te tratar feito gente. E tem você, que MERECE uma bolsa linda.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 13:45 de 24.10.2006
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As good as it gets.


Melvin Udall: I've got a really great compliment for you, and it's true.

Carol Connelly: I'm so afraid you're about to say something awful.

Melvin Udall: Don't be pessimistic, it's not your style. Okay, here I go: Clearly, a mistake. I've got this, what - ailment? My doctor, a shrink that I used to go to all the time, he says that in fifty or sixty percent of the cases, a pill really helps. I *hate* pills, very dangerous thing, pills. Hate. I'm using the word "hate" here, about pills. Hate. My compliment is, that night when you came over and told me that you would never... well, you were there, you know what you said. Well, my compliment to you is, the next morning, I started taking the pills.

Carol Connelly: I don't quite get how that's a compliment for me.

Melvin Udall: You make me want to be a better man.

Carol Connelly: ...That's maybe the best compliment of my life.

Melvin Udall: Well, maybe I overshot a little, because I was aiming at just enough to keep you from walking out.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 09:40 de 24.10.2006
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Cenas dos próximos capítulos.

E amanhã? Amanhã é outro dia, pra começar, de novo, o recomeço, para rir e para se emerdar de algum outro jeito, para resolver outra vez o insolúvel e voltar atrás, quem sabe, novamente. Amanhã é outro dia e a gente continua aqui na falta de melhor opção, na falta, diga-se, de qualquer outra opção e tenta, então, fazer uma outra coisa da mesma coisa, faz a resolução dar certo, tenta resistir, insistir, perseverar, ter força, como disse a Nininha, continuar e experimentar ser diferente, se der e, se não der, não desesperar, não enfiar um soco na cara do primeiro que aparecer, não entrar debaixo de um ônibus, não xingar a mãe do transeunte, não mandar o corno do automóvel ao lado ver que cor tem a anágua da sua excelentíssima mãezinha, não esguelar o desgraçado do infeliz que afinal, o que foi mesmo que fez? Sei lá. Amanhã é outro dia e lá vamos nós, lá vou eu, tá vendo, lá vou eu, lépida, faceira, sorridente e impecavelmente imbecil, porque eu sou mesmo assim, não sabia, pois sou mesmo. Lá vou eu, livre, leve e solta e cheia de dúvida, dor, medo, covardia, saudades, insegurança, tristeza, desânimo, me sentindo profundamente injustiçada - ah, essa minha mania de me achar a suprema vítima do mundo, das pessoas e das circunstâncias - lá vou eu chorar no banheiro, repetir a mesma frase, falar os mesmos nomes, contar as mesmas histórias e terminar invariavelmente do mesmo jeito: amanhã. O inferno, meus filhos, o inferno é amanhã.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 00:37 de 24.10.2006
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23.10.2006

Prestenção, Toninho.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 17:21 de 23.10.2006
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Uticcidade pública.

Alguém tem alguma idéia de onde se pode encontrar chapéu de praia em Porto Alegre? Abas largas, para moças com medo de sol?

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:31 de 23.10.2006
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Raiô, Silver.

Às vezes a gente cai do cavalo. Tem gente que só bate de bunda no chão; outros caem mal e se esfolam; mas tem quem se quebra todo, com direito a hospital, meses engessado, fisioterapia e fobia ever after. Mesmo quando achava que estava a salvo andando de carrossel.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 15:56 de 23.10.2006
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Calda de frutas vermelhas.


Calda de frutas vermelhas fica bom com sorvete de creme, é verdade. E com petit gateau de chocolate branco. E com pudim de coco. E com bolo. Mas sabe com o que também fica ótimo? Com lombo de porco. Hum. E com presunto. Hum huuuummm. E com medalhões de filé, com peru, pato... hummm hummmmm hummmmmmm... E é tão facinha, vam'bora?

Seguinte. Numa panelinha pequena ou em uma leiteira, coloco o vinho, o açúcar e o vinagre balsâmico e deixo reduzir um terço. Acrescento metade das frutas picadas (atenção, moças, usar luvas para picar as amoras ou seu esmalte misturinha ganhará um novo tom violeta). Deixo ferver por uns 15 min ou até as frutas desmacharem um pouco. Depois misturo o restante das frutas (inteiras) e deixo ferver uma última vez. Serve-se a calda morna.


Ingredientes: 250ml de vinho tinto seco (aprox. um copo); 75ml de vinagre balsâmico (aprox. 1/4 de copo); 1 xícara de açúcar; 250 g de amoras; 150g de murtilos (blueberries); 150g de framboesas; 200g de morangos.

Se não achar todas essas frutas, não tem problema. O essencial mesmo são as amoras e os morangos.

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Coluna: Uma Madame na Cozinha
por Ticcia, às 15:17 de 23.10.2006
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Como a nossa visão ficou tão distorcida?


Aqui uma amostra do que se faz para vender uma imagem de beleza que não existe e movimentar milhões e milhões na indústria farmacêutica, cosmética e médica.

Mais um ponto para a Dove, que por mais que se valha do apelo publicitário que o tema tem, ajuda a desmistificar o tão divulgado padrão de beleza.

Assim amiga, se por mais que você queira, faça e gaste ainda não conseguiu virar uma moça de anúncio, não encane: moças de anúncio não existem.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 11:34 de 23.10.2006
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Depois.

Às vezes te odeio por quase um segundo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:15 de 23.10.2006
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É essa semana!



Já marcou na agenda?
Vai lá tomar café conosco e se refestelar com as coisas lindas da Denize.
Eu vou estar de empacotadeira La Reina Madre.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:48 de 23.10.2006
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Fds.

Tarde de sábado agradável com sol. Cabeleireiro e café com Alex e Facelo. Mesinhas nas calçadas da Cidade Baixa. Eu amo. Fui na Azul Cobalto de novo (xiiii).



Terça Insana com o povo todo no sábado à noite. Theatro São Pedro lotado, lágrimas de tanto rir, pizza depois. E ainda ganhei um presente cheirooooooooooso da Bellycthima. Só faltou a Ingrid vir falar comigo (deixar comentário depois dizendo que me viu e não foi me dar beijo não pode, Ingrid).



Domingo ainda mais lindo que sábado, cozinhando com amô. Depois café, Ana Roberta e Alex. Nem doeu tanto debulhar 6 processos das 20 à meia noite.



Grande vitória tricolor ontem no Olímpico. Sim, porque levar um gol do São Paulo aos 50s de partida e ainda conseguir empatar é lucro. E quero lembrar que Santos e Municipal vão pegar muito mais pedreiras do que o Grêmio daqui pra frente. Só pra constar.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:48 de 23.10.2006
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Daqui.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:40 de 23.10.2006
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Sorriso

Sob o fino manto translúcido de carne (nem tão) fresca e pele (ainda um pouco) luzidia repousa tudo aquilo que sou e não se vê. O sorriso até é sincero, porque nada branco, traindo os anos de vida, cafés em madrugadas de trabalho, tabaco festivo ou depressivo, vinhos tintos de preço módico e bruxismo renitente. Um sorriso conquistado à duras penas de aparelhos ordotônticos com pagamentos paternos mensais em tempos de URV diária e que ainda guarda a assimetria de quem tem um rosto desparelho e arcadas dentárias cubistas. Um sorriso correto e mesmo assim torto, feito para ser exibido após um bofetão na cara, qual Isabella Rossellini em Blue Velvet.

Os sorrisos talvez sejam o que temos de mais verdadeiro. Eles expõem os ossos que jazem sustentando todo esse barulhento aparato de carne e desejo que nos faz humanos. Que ficam guardados lá, por baixo do que está por baixo, camadas e camadas de tecidos superelaborados e de todas as toxinas que o stress de uma vida cada vez mais taylorista nos impõe. Que contam, em suas múltiplas anomalias e desvios, sobre suas dimensões herdadas, neuroses e fugas, sobre tudo o que lhe veio da família e todas as invisíveis gaiolas de tensão e infelicidade que você escolheu para si.

Correm livre por canais cuja existência não concebemos todas as coisas nem tão belas e um bocado sujas que sentimos, pensamos, experimentamos, vivemos, cogitamos. A raiva do abandono da mãe. A inveja da amiga mais bonita. A cobiça pelo marido da colega. O curioso sentimento de injustiçamento perante o sucesso do outro. A vontade de esbofetear o recepcionista. O desejo de atropelar a velhinha com o andador de metal na faixa de segurança. A irritação com o filho bebê que não deixa ninguém dormir há dois dias seguidos. A vontade de esganar a filha adolescente desaforada e respondona, apertar aquele pescocinho presunçoso até os olhos esbugalharem e o rosto passar do vermelho ao violáceo. O ímpeto de destruir o trabalho exposto. O impulso de chutar o mendigo que pede moeda na sinaleira. O ódio animalesco e inexplicável pela torcida adversária. Sim, é um tigre. Faminto. Furioso. Não basta qualquer punição, muito menos punição justa: a justiça passa longe. É preciso a dor do outro rutilando no pânico dos olhos dele, é preciso que ele perca a alma e que morra e renasça mil vezes, somente para sofrer mais e mais e mais numa roda sem fim.

É preciso conhecer esse tigre. O seu, o meu. O nosso. Ouvir seu rugido, seu queixume, sua tristeza. Olhar sem medo nos olhos da fera. Pois, se a fera é sua, se você é a própria fera, como poderia ela devorá-lo? Dê a mão ao tigre. Perceba-o. Conheça-o. Pode ser que, como o leão da fábula, ele tenha somente um espinho na pata. Tigres são puro instinto, tigres não pensam. Ajude-o a encontrar algum caminho, alguma serenidade, um lugar e condição onde possa usar todo esse ímpeto para brincar com outros tigres, para rolar na relva e para levá-lo veloz e feliz para aquele lugar onde você quer estar.

Pois o tigre também é um gato. Às vezes, é um gato que ri.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 00:28 de 23.10.2006
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22.10.2006

Dos prumos e rumos.

Fui atacada súbito por uma vontade quase irrefreável de me evadir. Sair, fugir, não estar mais aqui, não ter mais esse tempo, nem esse mundo, nem essa vida, buscar um mundo quieto e silencioso, longe, longe. Partir, como um barco que desprende mansamente do cais, ir tocada pelo vento como uma pandorga de fino papel de seda, cauda longa, cheia de nós e ânsias, de vozes e lembranças, cada vez mais para cima, cada vez mais distante, até a linha rebentar e me deixar partir, abraçada ao vento. Arrumar as malas com o pouco que importa, roupas, livros e nenhuma fotografia, carregar o peito dolorido de coragem e fechar a porta, deixando móveis cobertos com lençóis alvos, testemunhas, agora vendadas, do meu incerto retorno. Embarcar num avião, num navio, num trem e ir a cata de mim mesma, que deve estar perdida em algum quinto dos infernos, desesperada como criança que se vê perdida em supermercado. Então, depois de enxugar minhas lágrimas, bater nas minhas próprias costas e dizer pronto, pronto, andarei por ruas antigas numa velha madrugada, inaugurarei meus olhos como janelas novas e chegarei a uma praia, muito longe da descivilização, onde as estrelas parecem maiores e mais próximas e o barulho do mar dá um merecido descanso aos ouvidos. Lá, sentada na areia molhada, com as ondas lambendo meus pés, vou chorar um alívio prateado e doce, como se chorasse pela primeira vez, e não vou precisar de mais nada além de mim mesma.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 21:35 de 22.10.2006
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20.10.2006

Instante.

No Focando.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 15:00 de 20.10.2006
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The years from you to me.






Your hair waves once more when I weep. With the blue of your eyes
you lay the table of love: a bed between summer and autumn.
We drink what somebody brewed, neither I nor you nor a third: we lap up some empty and last thing.

We watch ourselves in the deep sea's mirrors and faster pass food to the other:
the night is the night, it begins with the morning,
beside you it lays me down.


(Paul Celan)





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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 13:54 de 20.10.2006
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De meninos, sorrisos e estrelas.


Helder Teixeira
Era uma vez uma menina e um menino que se conheceram num gira-gira de praça. Ela tinha pescoço fininho e uns olhos sempre amanhecendo; ele tinha um sorriso escondido nos bolsos e mãos muito claras. Ela tinha um pouco de medo de ficar tonta; ele lhe ensinou o truque para não ficar. Depois que ele conseguiu enxergar estrelas nos olhos dela e ela conseguiu fazer ele usar o sorriso no rosto, resolveram brincar de outra coisa. Ela foi à casa dele e levou uma caixa e ele quis saber o que havia ali. Ela mostrou umas peças coloridas e explicou que serviam para fazer muitas coisas. Ele perguntou se poderia fazer um castelo. Ela disse que um castelo, sim, que poderia virar espaçonave, avião, navio, forte apache, bicicleta. Ele quase não acreditou. Ela mostrou um pouquinho do que era e ele disse que sempre sonhara com isso, mas que nem sabia que pudesse existir. Ela com os olhos mais cheios de estrelas ainda disse que precisavam de espaço, mas ele disse que o espaço dele estava ocupado por um outro castelo. Ela pediu pra ver, temendo pelas estrelas e pelos sorrisos, e ele a levou pela mão. Ela quis tocar no castelo, mas ele disse que não, que podia desmoronar. Ela quis abrir a janela para iluminar, mas ele tinha medo que o vento o levasse. Ela quis então desmontar aquele castelo e construir outro. Ele disse que não podia, que tinha levado muito tempo pra fazer aquele, que tinha consertado várias vezes, que muita gente tinha lhe ajudado na tarefa e guardou os sorrisos no bolso de trás. Ela então amanheceu os olhos e resolveu esperar em segredo que ele voltasse à praça para lhe devolver as estrelas.


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 12:06 de 20.10.2006
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Sua bênção.

"Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca
mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha."

(Hilda Hilst)


**************************


Vamo andá ombro no ombro pelo planeta e sumí? Saí por aí braços dados cantando alto chico buarque, de tranças e roupa de domingo? Vamo comê cachorro quente, tomá coca-cola, depois milqui xeique e ignorá os gritos de oba das celulitinhas? Vamo dormi em rede de perna enroscada, acordá e beijá na boca, mergulhá no mar e lê até anoitecê? Vamo ficá pelado e brincá de geografia, anatomia, cartografia, astrologia? Vamo ri um do outro, tê soluço, confessá as gafe, perdoá os ingnorante, dá comida pros gato, deitá na sombra de uma árvore bem cheirosa e só levantá depois que uma borboleta pousá no nariz? Vamo lê poema um pro outro e brincá de adivinhá qual foi a palavra que trocamo? Vamo comê no mesmo prato e beijá de boca suja? Vamo falar palavrão bem alto e escandalizá as velhinha? Vamo ouvi som alto e cantá tudo errado? Vamo desenhá nas paredes da casa com giz de cera colorido? Vamo saí por aí, de óculos escuro e boné fingindo que semo celebridade? Vamo brincá de não de desiludi, de não vê burrice, vamo sê um pouco burro também, pra variá? Vamo brincá
de deus
de diabo
de tarado
de compositor
de escritor? Que é aquilo de poder lê um monte, escrevê três linhas por dia e acharem que a gente tá trabalhando?
Vamo brincá de médico? Que é aquilo de eu vê nos detalhes o que tem dentro das tuas calça e depois te mostrá o que tem dentro das minha? E de poesia de amor?
Quero de ti somente
O que me darias em segredo
Quero teus cabelos entre meus dedos.

Bom dia, leitor. Tô brincando de Hilda Hilst.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 10:03 de 20.10.2006
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As good as it gets.

Acabo de comprar uma bandeja de areia com abas enormes, que, segundo a dona da petshop, resistiu até as vigorosas investidas do seu gato de 9 quilos. Pensei ter solucionado o problema da areia espalhada pela área de serviço e cozinha. Ni qui qui levo pra casa, ponho à disposição de Hildolina, a gata huna, e fico na espreita. Não mais que 20 min depois lá vai ela. Cava com uma força, uma concentração, uma insistência e um vigor que nem mesmo as superabas podem conter a areia. Depois do xixi amigo ainda passa um bom tempo enterrando e enterrando e reenterrando e enterrando novamente e verificando se está bem enterradinho e revisando e enterrando mais um pouquinho e espalhando areia e cavando um pouco mais e enterrando mais e cheirando pra ver se está bem enterrado e espalhando mais uma areia.

Bom dia. Meu nome é Patrícia, tenho 33 anos e uma gata com TOC.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:41 de 20.10.2006
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Terrifying.

Se eu quiser uma família com filhos, isso tem que acontecer nos próximos 5 anos.


Pensar nessas coisas em momentos em que eu não deveria pensar nessas coisas é que me mata.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:07 de 20.10.2006
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19.10.2006

...

(de perto, eu não sou tão legal.)

(não sou. mesmo.)

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 21:25 de 19.10.2006
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Então eu abro um livro e é isso.


319.

"Reconheço hoje que falhei; só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos... Era lúcido e triste como um dia frio.

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.

Tenho elementos espirituais de boémio, desses que deixam a vida ir como uma coisa que se escapa das mãos e a tal hora em que o gesto de a obter dorme na mera ideia de fazê-lo. Mas não tive a compensação exterior do espírito boémio – o descuidado fácil das emoções imediatas e abandonadas. Nunca fui mais que um boémio isolado, o que é um absurdo; ou um boémio místico, o que e uma coisa impossível.

Certas horas-intervalos que tenho vivido, horas perante a Natureza, esculpidas na ternura do isolamento, ficar-me-ão para sempre como medalhas. Nesses momentos esqueci todos os meus propósitos de vida, todas as minhas direcções desejadas. Gozei não ser nada com uma plenitude de bonança espiritual, caindo no regaço azul das minhas aspirações. Não gozei nunca, talvez, uma hora indelével, isenta de um fundo espiritual de falência e de desânimo. Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente, por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver.

Foi num mar interior que o rio da minha vida findou. À roda do meu solar sonhado todas as árvores estavam no outono. Esta paisagem circular é a coroa-de-espinhos da minha alma. Os momentos mais felizes da minha vida foram sonhos, e sonhos de tristeza, e eu via-me nos lagos deles como um Narciso cego, que gozasse a frescura próximo da água, sentindo-se debruçado nela, por uma visão anterior e nocturna, segredada às emoções abstractas, vivida nos recantos da imaginação com um cuidado materno em preferir-se.

Os teus colares de pérolas fingidas amaram comigo as minhas horas melhores. Eram cravos as flores preferidas, talvez porque não significavam requintes. Os teus lábios festejavam sobriamente a ironia do seu próprio sorriso. Compreendias bem o teu destino? Era por o conheceres sem que o compreendesses que o mistério escrito na tristeza dos teus olhos sombreara tanto os teus lábios desistidos. A nossa Pátria estava demasiado longe para rosas. Nas cascatas dos nossos jardins a água era pelúcida de silêncios. Nas pequenas cavidades rugosas das pedras, por onde a água escolhia, havia segredos que tivéramos quando crianças, sonhos do tamanho parado dos nossos soldados de chumbo, que podiam ser postos nas pedras da cascata, na execução estática duma grande acção militar, sem que faltasse nada aos nossos sonhos, nem nada tardasse às nossas suposições.

Sei que falhei. Gozo a volúpia indeterminada da falência como quem dá um apreço exausto a uma febre que o enclausura."



in O Livro do Desassossego, por Bernardo Soares (het., Fernando Pessoa)

Pooootaquemeparil.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 18:26 de 19.10.2006
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Pandemônio.

Como a região a ser clareada das manchinhas é aquela que fica sobre o malar (ali onde as pessoas costumam ter sardas) e de ontem pra hoje o efeito que o creminho clareador Vanish O2 concentrado teve foi me transformar num panda (há rodas vermelhas ao redor dos olhos), esta é a explicação para o mistério de estar garoando em Porto Alegre e eu ostentar pra cima e pra baixo um oclão Jackie O. Ser uma panda sim, mas uma panda com estilo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:51 de 19.10.2006
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Pensamentos impuros.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 11:11 de 19.10.2006
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Perde a amiga, mas...

Minha amiga Aninha, 44, foi viajar com a filha, 16. Do aeroporto manda a seguinte SMS:

"Atendente achou que fôssemos irmãs. Aninha agora só viaja Gol."


Resposta de humor nigérrimo da Mme. Very Mean:

"A-ha, tá explicado porque cai avião. Eles não fazem psicotécnico."

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:02 de 19.10.2006
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18.10.2006

Pisando na cabeça

Se você é uma mulher e fizer uma manobra no trânsito que um ser humano heterossexual do sexo masculino desaprova, ele possivelmente botará o porongo que lhe serve de cabeça para fora do carro e gritará a altos brados "POOOOOOOOOOOOOOOOTA!"

Se você é uma mulher e realiza atendimento ao público no seu trabalho, diversos cavalheiros tão preocupados com sua gravata e terno bem-cortado a tratarão com desprezo e lhe dirão um monte de desaforos só porque você está fazendo o sacripanto desaforo de realizar seu trabalho.

Se você é uma mulher bonita, muitos pensarão que é burra ou pooota. Se for bonita e inteligente, será odiada por muitos homens e mulheres, por motivos diferentes mas na mesma proporção.

Se você é uma mulher feia, muitos a desprezarão porque não tem o que a sociedade entende como qualidade elementar da feminilidade. Se você é uma mulher feia e inteligente, muitos dirão que é uma megera.

O mundo é misógino. Mulheres demais são misóginas. Algumas bees misóginas conseguem ser ainda mais insuportáveis. Agressivas, sabem? Ruins.

Depois, ninguém entende minha misantropia.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 18:24 de 18.10.2006
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Numa nice.

O que vocês diriam de uma pessoa que tem dormido tão relaxadinha, mas tãããããão relaxadinha que entortou as unhas por dormir com os punhos cerrados?

Pelo menos luvas de acrílico devem ser menos incômodas que placa ortodôntica anti-bruxismo, é ou não é?

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 17:53 de 18.10.2006
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Pimenta na cutis dos outros é refresco.

A moça aquela que vocês conhecem anda passando um creme power punk modernoso para tirar manchas de sua cútis e a dermatologista recomendou reforçar o filtro solar. O problema é que quando a moça tasca o filtro solar em cima da pele onde anteriormente estava o tira-manchas Omo Dupla Ação Branqueadora Ultra, parece que está espalhando chumbo derretido. Aí liga para a médica que pergunta: Fica veremelho? Irrita? Não? Ah, então é assim messssssss. Não saia sem o filtro. É isso ou peeeeeeelings, uououou peeeeeelings...

E como eu não tô disposta a ver a minha linda carinha despencar aos pedaços, mando brasa.
Eu vou te dizer, mulé sofre.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:18 de 18.10.2006
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Holly, o gato e a campainha.



Só me falta a campainha.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:51 de 18.10.2006
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17.10.2006

Caligrafia.







Te escrevo coisas como quem lança pedras ao rio, como quem por segundos ressuscita, como quem adivinha na flor o corpo despido da roseira, como quem sente na chuva a nuvem que foi, como quem alcança cego as mãos do trapezista. Te escrevo de me amiúdo, como quem veste a camuflagem das palavras, tentando surpreender teu olhar de sempre. Te escrevo nas margens, nas frestas, nas últimas páginas, no arame embaixo dos pés.





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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 23:08 de 17.10.2006
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Triumpho

Fico me perguntando: de que adianta triunfar sobre o que seja? Triunfo se come?Se veste? Triunfo é de ler, de ver no cinema, no DVD? Triunfo é macio e aquece as pessoas no frio? Triunfar é garantia contra infelicidade, abandono, tristeza e verminose? Quem triunfa ganha o quê, afinal? O próprio triunfo? Só?

Você quer ter razão? Tenha. Eu te dou, pronto. Você tem a sua razão. Não a minha, que da minha você não precisa, da minha sei eu. Ou será que triunfo é quando se patrola toda a vontade e consciência dos outros e os faz ajoelhar? Então triunfo é escravidão? A escravidão de quem não triunfa é que faz o triunfo dos triunfais?

Pelo fim das vitórias de pirro. Pela reconceituação dessa idéia de triunfo.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 20:08 de 17.10.2006
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Pepper tips da Ticcia.

Um amigo escreve e diz que aprendeu com um mineiro gurmet a fazer coelho à moda indonésia. É para isso que serve um cajado, é ou não é?



Não estávamos nem em meados de outubro e essa pisciana com ascendente em virgem que vos fala já tinha planejado as férias, emitido bilhete, reservado pousada. She moves in mysterious ways.



O Pai de madame liga e convida-a para ir ao jogo dos tricolores no domingo. Se conseguir cadeira, Madame irá, ainda que a pé, para o que der e vier (mesmo ciente de que a parada é quase impossível). O que vale é ir ao estádio com papai, claro, que não deu sorte com o filho varão (colorado - tsc, tsc, tsc).



Agora essas duas deram pra fazer complô. Uma mata, outra enforca. Falzuca anda fazendo poesia pras bolsas da Denize. Já pedi um parecer ao nosso corpo jurídico: deve haver alguma lei contra isso.



Não bastasse, aquele lá fica postando fotinha descabelado logo que acorda. Agora me diz, que condição tenho eu de ficar me confrontando com homi recém saído da cama, com cabelo espeloteado e cheirando a sono? Depois não sabem porque é que eu bebo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:04 de 17.10.2006
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Pra já.

Então pronto. As meninas disseram que hoje abre o tal do portal cósmico, cheio de luz ultravioleta, cheio de vibrações lilás e talecousa e nós tamos aqui pra pegar uma beira nem que seja.
OOOOOOOOOMMMMMMMMMMMM OOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMM OOOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMM que boa energia, canais abertos, bola pra frente, sonhos realizáveis, conspiração cósmica, física quântica, pensamentos amplificados e concretizáveis um milhão de vezes mais e lesco-lesco é conóis messs.

VEM NI MIM, VIOLETA!

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 13:59 de 17.10.2006
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Cri-cri.

Eu estou cada vez mais chata, mais implicante, mais insuportável, menos condescendente, menos flexível, menos tolerante. Tenho tido ganas de trucidar vizinhos que batem portas depois da meia noite, resolvem fazer faxina corujão, falam pelos corredores do prédio como se estivem em sua própria sala de estar, apertam o botão de descer E de subir no elevador, não se dignam a disfarçar a curiosidade/indiscrição e praticamente escaneiam quem quer que seja de cima a baixo de baixo para cima, põe tanto perfume que qualquer pessoa portadora de conduto olfativo num raio de 100m se engasga ou tem crise de fígado. Por não segurarem a porta do elevador eu nem reclamaria, mas puxar a porta para não dar tempo de subir mais ninguém? Póóóótaqueoparil.

Mas possivelmente isso tudo é fruto do meu mau humor.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 10:33 de 17.10.2006
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O mundo anda tão complicado.

Acidente no metrô de Roma. A cidade só tem duas linhas, poucos trens e todos recentemente modernizados. Oxalá não seja nada além disso. Assim como a imagem do avião que bateu em um prédio residencial de Manhattan pareceu familiar, as fotos de bombeiros retirando vitimas do metrô assustam.
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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 09:57 de 17.10.2006
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16.10.2006

Do peso em mim mesma.






Faz-me esquecer de mim, daquela de mim, daquela que fui, daquela que eu era, daquela que viveu aquela vida que eu pensava possível e certa, a vida que eu não sabia que podia e era, da vida que foi. Faz-me esquecer da areia da praia, do corpo deitado, do barulho das ondas, dos meus olhos fechados, do verão que se ia. Faz-me esquecer do que aprendi, da realfabetização dos sentidos, da redescoberta do mundo, da redescoberta de mim, daquela forma que eu tinha, daquele corpo que era meu, das minhas mãos, daqueles olhos, daquele tudo em mim que cabia e era, da desmesura, da amplidão, do que eu continha. Faz-me esquecer dos silêncios, das palavras não ditas, da voz que me sabia, dos olhos que me refundavam, dos gestos que me esculpiam. Faz-me esquecer de como eu me encontrava sem nunca mais me perder, de que eu não tinha mais medo, de que eu tinha coragem, de que não doía. Absolve-me da memória de mim.


Ouvir depois O Circo Místico (Edu Lobo), uma música que descobri recentemente o quanto é triste.


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 17:01 de 16.10.2006
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Estabacante.

Suponha que você tenha um domador de leões e um engolidor de espadas. Assim que eles são transferidos do circo A para o circo B, colocam o domador pra deglutir espadas e o engolidor para domar leões. Na melhor das hipóteses, o que você conseguirá será um domador engasgado e um engolidor devorado, certo? Certo. Mas esse é o racionício parco e torto que eu, você e qualquer pessoa de bem e bom senso faríamos. Eles, vocês sabem, eles têm uma capacidade intelectual de (con)gestão que está muito, mas muito além do nosso simplório entendimento.

Agora você me dêem licença que eu vou ali empurrar espadas güela abaixo de um domador e salvar um engolidor das feras. Porque, claro, tem que sobrar pra alguém.

A burrice, a ineficácia e a má administração nunca vão deixar de me surpreender. Quando eu acho que já vi tudo, ta-raaaaaaaaaam, here we go again.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:15 de 16.10.2006
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Camarão que dorme a onda leva.

Amiga irmã caminhoneira, se você usa lentes de contato descartáveis daquelas que você já sabe grau, curvatura, tuda, tuda, e, como comigo, tiveram o disparate de lhe pedirem mais de R$ 100,00 por uma caixa com três pares, saiba que existe uma lodjinha na internet que vende muito mais baratiol, entrega na sua casinha e cobra frete módico.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 13:58 de 16.10.2006
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La Reina Madre rides again.



Lá vem elaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Programem-se, minhas filhas. Ela está chegando.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:37 de 16.10.2006
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All by myself.

Um domingo com direito a banho de chuva, chá, bomba de creme, Kit Kat, sonho de valsa (tão sentindo o drama?), pantufa, 18 horas de pijama, Hildolina enroscada e reclamante cada vez que eu me mexia (o que evitei), séries repetidas, café recém passado, arrumação de guarda-roupa (eu continuo tentando dar alguma ordem ao que quer que seja), visita do Facelo, telefonema pra mãe e um adiar eterno da hora de deitar e dormir.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:33 de 16.10.2006
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15.10.2006

Dor.

Chove e é sempre segunda-feira em Porto Alegre.

E eu tenho envelhecido tanto.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:50 de 15.10.2006
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Há que pôr o chão nos pés.


Adilson Faltz

Cantiga de acordar.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 00:24 de 15.10.2006
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14.10.2006

TP 179.






E então eu já te amava, frágil e titubeante, com o vento entre as folhagens do corpo, com um ardor a itinerar faminto, a desassossegar as mãos e fazer passear cintilâncias nos olhos. Te amava então e não sabia que me farias bordar o avesso das coisas, redescobrir secretamente o caminho de casa e te querer sempre comigo na simplicidade comovente de cada gesto. Já te amava, e nem eu mesma sabia, que trazia em cada parte do corpo o mapa do teu território e que esperava, terra estranha, desde então tua descoberta, desde então tuas mãos e tua boca, o calor indecente da tua pele, o cheiro dos teus cabelos, desde então meu nome reinaugurado em tua língua.






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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 00:00 de 14.10.2006
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13.10.2006

Se perguntarem por mim.

Hoje é sexta, com cara de segunda. E é 13.
E amanhã é amanhã é amanha é amanhã.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:52 de 13.10.2006
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Eddie Ostrowski

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 00:16 de 13.10.2006
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12.10.2006

Coisas que dóem pra sempre.

Ligo a TV e está começando Love Actually. Vejo a primeira cena, aquela dos aeroportos.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 21:08 de 12.10.2006
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Chapeuzinho Vermelho

Feliz e suada, sacudindo a multidão de cima do palco do baile funk, ela quase esquecia o tortuoso caminho que a levara até ali. Quase. Um ponto, um pedaço, uma agulhada, sempre a lembravam que a felicidade é um caminho cheio de pedágios. Caros.

Reminiscência de tempos idos, o bonezinho vermelho, surrado. Ela não quisera trocar. Era quase indecente viver entre toda aquela glória, aquele luxo, aquelas camisetas com strass Swarovski sem uma lembrança dos tempos de vacas magras.

Da infância lembrava apenas a rua, os sapatos bonitos das pessoas passando apressados bem rente ao seu rosto, sempre meio tapado por um boné ou qualquer outra coisa que ocultasse um pouco seu semblante de todos aqueles pés que pareciam que iam lhe chutar a qualquer momento. A rua e todas as suas múltiplas estranhas aventuras e todas as riquezas que as pessoas dos sapatos bonitos deixavam no saco de lixo.

[clique aqui para ler o texto na íntegra]
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 15:58 de 12.10.2006
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CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - CHAPEUZINHO, O C*R*LH*, MEU NOME AGORA É SAMANTHA RED.

Era uma vez um menininho (sim, menininhO) que era obrigado pela mãe a vestir uma capa horrorosa e demodê, vermelha com capuz, imaginem a desgraça, atravessar uma floresta cheia de lobos e a ir até a casa da vovozinha surda levar doces. Um belo dia ele cansou dessa lenga lenga, tacou fogo naquela capa miserável, deu os doces pros lobos, tomou outro rumo, achou um lenhador leeeeendo de morrer, escafedeu-se e foi viver num chalet charmosérrimo à beira de um lago glamuroso na Suiça, bem linda, bem tudo.

Veja no Gorduchas, no Cafeína, no Mal Secreto, no Monomulti, na La Reina Madre, no Conto às Favas e no Margarida, mais versões do clássico conto de fadas.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:27 de 12.10.2006
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11.10.2006

11 de outubro. Será?

Acabo de ver que uma aeronave de pequeno porte se chocou contra um prédio residencial de New York. As autoridades americanas negam a possibilidade de atentado. Mas que a cena traz flashbacks, traz.

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Coluna: Madame Pompadour
por Ticcia, às 16:27 de 11.10.2006
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Amanhã é feriado, mas tem coisa.

Amanhã, que é dia das crianças, um grupo de blogueiros (que inclui euzinha e a amada criada) vai publicar, cada um, a sua versão de Chapeuzinho Vermelho. Não percam.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 16:09 de 11.10.2006
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Losing my religion.


Life is bigger, It's bigger than you, and you are not me. The lengths that I will go to, the distance in your eyes… Oh no, I've said too much, I set it up.

That's me in the corner, that's me in the spotlight, losing my religion, trying to keep up with you and I don't know if I can do it. Oh no, I've said too much, I haven't said enough.

I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing, I think I thought I saw you try…

Every whisper of every waking hour, I'm choosing my confessions, trying to keep an eye on you, like a hurt lost and blinded fool. Oh no, I've said too much, I set it up.

Consider this, the hint of the century, consider this, the slip that brought me to my knees failed, what if all these fantasies come flailing around - Now I've said too much.

I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing, I think I thought I saw you try: but that was just a dream, that was just a dream.

Ouça, Nina Persson - Losing my religion.

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Coluna: Madame Butterfly
por Ticcia, às 12:39 de 11.10.2006
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10.10.2006

Em dezembro, na Christie's.

Aceita-se presente.

Já falei com a D.Elvira, costureira de mão cheia, que se comprometeu a soltar um pouquinho nas costuras, caso fique muito justo. Vam'lá, minha gente, à vaquinha.

(Caso haja algum rico e distinto senhor disposto a bancar sozinho o mimo, fique à vontade).

O que, definitivamente, não pode acontecer é a Victoria Beckham ficar com ele. Ah, não. Audrey não merece uma coisa dessas.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:18 de 10.10.2006
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Imagem de Paulo Miranda.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 13:50 de 10.10.2006
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República.

Porto Alegre pela manhã. A vida tenta recomeçar e pede as credenciais. O café, as árvores, o sol por entre as folhas estampa a calçada, o cheiro das paredes úmidas da noite començando a aquecer, os pássaros, os carros, o mesmo anúncio ALUGA-SE na mesma janela. Olho para o céu por entre os mesmos galhos. Mesmo lugar, ainda o mesmo tempo.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 10:07 de 10.10.2006
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Go blind now, today:
eternity also is full of eyes -
in them
drowns what helped images down
the way they came,
in them
fades what took you out of language,
lifted you out with a gesture
which you allowed to happen like
the dance of the words made of
autumn and silk and nothingness.




(Paul Celan, Atemwende, 1967).

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:46 de 10.10.2006
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09.10.2006

Dália Negra


Dália Negra (The Black Dahlia), o filme de De Palma, conta a história do brutal homicídio de Elizabeth Short, aspirante a atriz e vítima preferencial de toda sorte de loucos e aproveitadores, por conta de sua candura e inacreditável ingenuidade. Em verdade, o filme baseia-se no livro de James Ellroy, que também assina o livro-que-deu-origem-ao-filme LA Confidential. Percebe-se que Ellroy é um aficionado do noir e do glamour dos anos 40 - e nisso estou com ele e não abro.

Para quem - como eu - gostou muito de LA Confidential, The Black Dahlia vai trazer uma certa alegria, pelo reencontro com a atmosfera jamesellroynesca, e uma certa estranheza, já que no lugar de Russel Crowe e Kim Basinger temos Josh Hartnett e Scarlett Johansson. Nada contra a boniteza e juventude dos atores, é só que parece que a eles falta uma certa profundidade que o papel requer. Curiosamente, a maravilhosa Mia Kirshner, jovem e linda, convence no papel da Dália. Talvez seja o resultado de toda uma carreira construída no cinema alternativo predominantemente canadense. Talvez seja porque fazer papel de moça naïf e posterior defunta seja, embora o assunto principal do filme, menos fundamental do que os outros papéis. Ficou tão bom e ninguém me tira a certeza de que Mia foi escolhida por ser tão parecida com Elizabeth Short. Coisas da indústria, que acerta quando mais chance tinha de errar.

Porém, não vá desprotegido. The Black Dahlia guarda muito mais perversidade do que seu antecessor LA Confidential, e aí reside a sua mística. Não teria como ser diferente, já que o último trata de assuntos mais econômicos e gagsteriais, enquanto Dahlia trata de um homicídio pantagruelicamente hediondo, especialmente para a época.

A Criada, que é muito nostálgica, até porque não nasceu Criada, vos recomenda muitíssimo.



E o melhor de James Ellroy é o próprio James Ellroy.
Simplesmente apaixonante e sugestão para qualquer pessoa que deseje presentear esta Criada, já que li emprestado.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 18:18 de 09.10.2006
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Itacaré, Ba.

Meu povo amado, estamos precisando de prós, contras, dicas, indicações de hospedagem, restaurantes, bares, lodjinhas e relato do que fazer em Itacaré/Ba.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:30 de 09.10.2006
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Hoje acordei assim.






Fora de foco.







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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 10:15 de 09.10.2006
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Separados no nascimento, ou juntados no centro cirúrgico.



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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 10:01 de 09.10.2006
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Registro.

Só para que conste que, ainda que o Grêmio tenha perdido para o Santos e o Municipal tenha ganho do (de quem mesmo? ah, sim) São Caetano, o Grêmio FPA está em terceiro e, portanto, continua NA FRENTE do outro time esse.

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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 09:43 de 09.10.2006
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Nininha.

Sábado minha avó perdeu mais um dos irmãos que ela cuida há 60 anos. Ontem sentamos juntas, ela pegou a minha mão, como faz desde que eu sou muito pequena, deu umas palmadinhas e, quando nos olhamos com os olhos cheios de lágrimas e perdas, disse: “- Força, minha filha, força. É disso que a gente é feita.”

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 09:19 de 09.10.2006
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08.10.2006

Where the hell is my blue pill?


Olha aqui mosfios, um fim de semana com 600km atrás do volante e um funeral não precisava terminar com o Picolé de Chuchu contrabandeando cabelo na careca e Deformarta Suplicy, o mostruário vivo do que não deve se fazer na cara e na coordenação de uma campanha.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 22:17 de 08.10.2006
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06.10.2006

Bom fim de semana. Viva a suspensão da ordem marcial interna.



Carlos Neves

Raindrops keep falling on my head (Petra Magoni, Ferruccio Spinetti).

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 23:21 de 06.10.2006
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Não-dias

Dias há que nem deveriam ter começado e a única coisa boa deles é que eles vão acabar. São os não-dias.

Não-dias em que você acorda toda ruim e dolorida por ter dormido muito mal depois de uma enxaqueca tonitruante, e tenta deitar um pouquinho, na maior linha 'preguí' para ver se melhora um pouco aquele horror que você está se sentindo, e todos os telemarketings do mundo que, detalhe, não estão procurando por você, ligam incessantemente, fazendo a invejável marca de sete ligações em noventa minutos.

Não-dias em que você chega a ter febre de tão cansada, e sabe que é febre de cansaço, porque a garganta não dói, o nariz não está entupido, o pulmão está funcionando e não há sombra de infecção ou inflamação no corpo. Há somente exaustão.

Não-dias em que todas as notícias desagradáveis, que não são exatamente ruins mas aborrecem demais, chegam juntinhas, aos pares, aos trios, aos bandos, às catervas. E você já dolorida e febril, paciência zero, sem a menor condição de lidar com isso. Já nem suspira mais: agora, bufa mesmo. Para ver se com a expiração vem alguma inspiração de como colocar as coisas nos seus devidos lugares, como?, como?, se superabundam coisas e faltam lugares.

Não-dias em que tudo o que pode dar errado, dá. Todo mundo que poderia aparecer para dificultar, aparece, todo o trabalho mais difícil surge junto, todos reclamam de tudo todo o tempo, só que não em uníssono, nããão, é tudo desencontrado, uma babel de reclamações.

Pra completar, você vai arrumar a sua sobrancelha e a sedizente esteticista consegue inexplicavelmente criar uma versão cubista de você mesma. (!!!) --> pausa para choro, gritos de horror e ranger de dentes

O único alento, o único, único, é que falta menos de seis horas.

(também, quando acabar acho que vou estourar um champã. peterlongo, que sou serviçal, mas champã mesmo assim.)
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 18:45 de 06.10.2006
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Nada. Tudo.

Acho que a passagem mais bonita do Memórias de mis putas tristes é quando o velho lembra da tempestade que assolou a casa, que alagou os cômodos e da moça ajudando a salvar os livros, a espalhar bacias, a enxugar o chão. Depois ele confessa que aquilo nunca aconteceu realmente, mas que se a gente pode viver coisas e depois não lembrar, pode também lembrar de coisas que não viveu.

E eu lembro. De tudo.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 17:14 de 06.10.2006
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Lúdico, didático

Visitando os monsieurs mais hype da blogosfera - que quem é fino e globalizado é assim, acha exótico e multitudo confraternizar com a ralé - descobri que desenvolveram um jogo para entender o Governo Molusco.

Educação é tudo.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 16:37 de 06.10.2006
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Alívio momentâneo ou Da inutilidade de debelar o sintoma.

Há que se ter cuidado com o que cultivamos nas frestas da vida. Há que se ter cuidado com os respiros que forjamos na imprecaução das certezas nem tão certas, das decisões auto-proclamadas irrevogáveis a contra-gosto. Não para que sigamos inabaláveis e imaculadamente cegos e convictos, retos e puros, impecáveis em nossas proposições, mas para que as frestas não nos impeçam de ver os enganos, os equívocos, as perdas. Se a opção é mesmo certa, deveria ser confortável, nos permitir respirar. Se a certeza é tão sólida, deveria ser doce e sustentável, deveria nos permitir ser quem somos, ser felizes sem precisar recorrer ao analgésico, ao recreio, à folga. Se temos necessidade premente de um respiro ou de um gosto outro, algo de inconsistente e contraditório existe. Abrir uma fresta, um respiro, e se permitir um tantinho de outro gosto, de uma fuga para o alívio momentâneo, perpetua a volta ao poço das certezas amargas, das opções asfixiantes, afrouxa um pouco o arreio, evitanto que ele se torne insuportável. E aí acabamos por suportá-lo - para sempre.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 11:19 de 06.10.2006
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Illegibility
of this world. All things twice over.

The strong clocks justify
the splitting hour,
hoarsely.

You, clamped
into your deepest part,
climb out of yourself
for ever.


(Paul Celan, p. 309)






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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 09:22 de 06.10.2006
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Cada vez melhor.

Grêmio venceu o Palmeiras na quarta. Inter perdeu para o Cruzeiro ontem.
Alegria completa.


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Coluna: Madame Satã
por Ticcia, às 08:52 de 06.10.2006
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05.10.2006

Laços

Não quero sorriso inocente e puro como anjo barroco,
quero sim tua alma atormentada escapando num esgar desconfortável de quase-júbilo,
expondo dentes nem tão brancos assim.

Que teus olhos não brilhem de júbilo e paz, mas de dúvida e angústia,
dentro dos meus
e seja tão tua quanto minha a dor com que me presenteias.

Assim te aguardo e contemplo,
a amarra e a mordaça,
o chicote e a algema,
o espéculo e a pinça,
esses instrumentos do nosso amor.

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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 16:00 de 05.10.2006
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Um rio e uma lua.



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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:00 de 05.10.2006
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Que assim seria, seja, será.

E meu colo seria teu, e tuas seriam minhas alegrias, e meus dedos conheceriam os teus, aconchegados e mornos, e minha pele teria teu cheiro, e brincaríamos de inventar insultos, e gargalharíamos como não fazemos nunca, como pensávamos ser incapazes, como se a nossa ordem marcial interna tivesse sido finalmente suspensa, como se fugíssemos do nosso constante estado de sítio. E seríamos outros e tão nós mesmos, que duvidaríamos que algum dia tivéssemos sido diferentes e nos abraçaríamos numa m(n)udez comovida e grata, silenciosa e completa, que passaria, dali em diante, a ser chamada de perfeita paz.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 11:11 de 05.10.2006
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Fouet, Roux & Demi Glace.



Blog delicioso da Daniela.
Mais um template com a assinatura Cafeína.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 10:18 de 05.10.2006
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04.10.2006

Desamparados do mundo, uni-vos.

Meu amigo Rogério me falou esses dias que pretendia criar o movimento dos sem remédio. Sem remédio, veja bem, não são pessoas necessariamente sem conserto, mas gente pela qual não há (mais) nada a fazer. Para os casos-limite, ou existe medicação desenvolvida e testada, com resultados comprovados, posologia, acompanhamento, tempo de administração, efeitos colaterais, sintomas esperados, aprovação do Ministério da Saúde, ou ação judicial, ou providência administrativa, ou seguro, ou procedimento, ou solução. Para o restante, para todo o resto, para mim inclusivemente, não tem. Raciocinem comigo: se você tem síndrome do pânico, tem remédio; se você tem medo, não tem. Se você tem depressão, tem remédio; se você está triste, não tem. Se você tem DDA, tem remédio; se você é estabanado, não. Se você tem transtorno obsessivo compulsivo tem remédio; se você é um chato de galocha, não. Se você tem obesidade mórbida, tem remédio e cirurgia; se você tem uns pneuzinhos sobrando, não. Se você é anoréxica tem remédio; se é magra de ruim, não. Se você tem infecção intestinal tem remédio; se você tem diarréia nervosa, não. Se você não tem peitos, pode colocar silicone; se você tem peitos de fábrica e precisa de um sutiã sem enchimento que proporcione uma sustentação razoável, não seja especial para lactante nem se pareça com os sutiãs da sua avó, n.º 44 ou maior, não tem. Se você é assaltado à mão armada, vai na delegacia e presta queixa; se elegem o Maluf, não tem nada a fazer. Se alguém cruza o sinal vermelho e destrói o seu carro, você aciona o seguro; se o motoboy erra o cálculo e arranca o retrovisor, não dá nem o valor da franquia. Se você precisar de uma cirurgia, entra em licença saúde; se estiver com o saco cheio de tudo, azar o seu. Se protestam um título no seu nome e você não deve, você processa judicialmente e pede indenização; se o flanelinha cobra déreau o estacionamento na rua, você paga e não chia. Se o seu chefe lhe assedia sexualmente, você denuncia; se ele inventa uma piadinha cretina todo santo dia, você agüenta no osso. Se lhe quebram o maxilar com um soco, é crime; se lhe partem o coração, não.

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Coluna: Madame Benvenisti
por Ticcia, às 15:13 de 04.10.2006
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Way better than any work of fiction, 18. It's too late.



Versão do grande sucesso da Carole King, a coisa ficou muito mais cool, muito mais black, muito mais seventies, muito mais elegante, mais soul. E encerra a compilação Calexico que se propôs a fazer a minha definição musical.
Taí pra me lembrar que as coisas terminam, já que eu não tenho conseguido ver desse jeito.


IT'S TOO LATE (Isaac Hayes).

Stayed in bed all morning just to pass the time/ There's something wrong here, there can be no denying/ One of us is changing, or maybe we've stopped trying/ And it's too late, baby, now it's too late/ Though we really did try to make it/ Something inside has died and I can't hide/ And I just can't fake it/ It used to be so easy living here with you/ You were light and breezy and I knew just what to do/ Now you look so unhappy, and I feel like a fool/ There'll be good times again for me and you/ But we just can't stay together, don't you feel it too/ Still I'm glad for what we had, and how I once loved you.




E fica aqui a minha declaração de amor e de admiração por esse moço querido, que já a parte mais aromática do meu coração. O bom gosto e a gostosura dele já são incontestáveis, mas o que nem todo mundo sabe é que ele é daqueles amigos que fazem toda a diferença na vida da gente. Eu sou muito melhor porque tenho ele perto de mim. Obrigada, Alex. Por tudo e também pela definição musical.

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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 11:08 de 04.10.2006
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Irmão sol, céu, sul.


Ticcinha e Lika






Hoje é dia de São Francisco de Assis, protetor dos bichinhos, dindo de Hildolina, a gata, amigo de fé da Falzuca e colega do Toninho, aquele outro santo com o qual eu tenho estreitas (e, por hora, estremecidas) relações.

Aproveito o ensejo então para agradecer pela saúde dos bichinhos amados de todos nós, mandar uns carinhos pra Lika - na foto com a mini Ticcia de então 3 anos e meio - a cadela mais querida e mimosa do mundo, e pedir pro São Chico levar um lero com o Toninho porque a cousa aqui tá de lascar, a situação da osca e nós já estamos chamando urubu de meu louro.






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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:50 de 04.10.2006
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Frente e versos.





Fotos by Cafeína e Bellynalle.
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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 00:14 de 04.10.2006
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03.10.2006

O avesso do avesso.





Como aprender a me desacompanhar de ti, tu que sempre estiveste na proximidade íntima do que éramos um para o outro e me ensinaste a decompor os longes, tu que preenchias todos os espaços da solidão finda na simples referência de te saber existindo, tu que me mostraste como estar de mãos dadas sobre o oceano e que converteste qualquer distância em muito mais perto? E quando eu mais desespero, mais aparecem lugares em que não estás e em que surges, em que caminha tua sombra sobre a minha, em que eu preciso conjugar todos os verbos pelo avesso dos sentidos.



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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 16:34 de 03.10.2006
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Post Secret.



Daqui.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 11:44 de 03.10.2006
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Way better than any work of fiction, 17. Please read me.



Eu acho que às vezes a gente tem olhos que lêem os outros de uma maneira que ninguém mais consegue ler. Não sei do que mais me orgulho: se de ter lido certas pessoas ou de ser lida por elas. Ainda mais assim, cantada pela Deusa das deusas. O CD é o Live in Paris, aquele mesmo que aquela mocinha põe pra tocar no final daquele filme, sabe?



PLEASE READ ME (Nina Simone).

Many years ago I was a simple girl/ A simple girl, no worries me/ I never lied / Please read me/ Not much conversation ever came from me/ I never saw reality/ I never tried/ Please read me/ Maybe I've been lying on your couch too long/ I'll stay if you can see me through, explain why/ Please read me, please read me, please read me.




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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 10:55 de 03.10.2006
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Mais uma história de nós dois.

E eu te poria apelidos, coisas imbecis, nomes inventados ou expressões tão ingenuamente românticas que não se consegue escrever sem que o papel se tinja de cor-de-rosa ou gente queira se esconder de tanta vergonha de si mesmo. E te sussurraria sorrindo todas essas coisas tolas, naquele tom entre o safado e o querido, dizendo baixinho as coisas mais doces e mais pornográficas do mundo, que ninguém acreditaria que alguma vez eu já tenha sido capaz de dizer ou de pensar. Trocaria as sílabas do teu nome e inventaria o apelido do apelido do apelido e ousaria ainda um diminutivo, e riria às gargalhadas quando um dia te ouvisse falando algo ainda mais idiota e meloso do que tudo que eu tinha conseguido inventar até ali. E nos olharíamos daquele jeito surpreso de quem se acha despudoradamente contente dentro dos olhos do outro. E não diríamos nada, nem faríamos alarde. Disfarçaríamos um pouco até, mutuamente cúmplices do constrangimento do outro em nos flagrarmos tão afrontosamente alegres, tão irremediavelmente felizes.

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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 00:50 de 03.10.2006
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02.10.2006

Dos cortes nossos de cada dia.


O gume das coisas.


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Coluna: Madame Bovary
por Ticcia, às 15:42 de 02.10.2006
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Way better than any work of fiction, 16. Small Blue Thing.




Eu tinha 15 anos e Little Angie me apresentou Suzanne Vega. Eu ouvi essa música e me descobri ali, praticamente uma bolinha de gude. E a sensação voltou muitas vezes desde então e sempre eu me encontro sentada no chão do casarão da Rua Gen. Osório, ouvindo LP de vinil com a Angie.



SMALL BLUE THING (Suzanne Vega).

Today I am/ A small blue thing/ Like a marble/ Or an eye/ With my knees against my mouth/ I am perfectly round/ I am watching you/ I am cold against your skin/ You are perfectly reflected/ I am lost inside your pocket/ I am lost against your fingers/ I am falling down the stairs/ I am skipping on the sidewalk/ I am thrown against the sky/ I am raining down in pieces/ I am scattering like light/ Scattering like light/ Scattering like light/ Today I am/ A small blue thing/ Made of china/ Made of glass/ I am cool and smooth and curious/ I never blink/ I am turning in your hand/ Turning in your hand/ Small blue thing.


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Coluna: Madame Tussaud
por Ticcia, às 15:36 de 02.10.2006
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(explicando...)

Madames e Monsieurs, o post da Teoria da Conspiração foi excluído. Por duas razões:

1) Foi um acontecimento trágico e não tive a real dimensão da coisa no momento que escrevi, de modo que ficou parecendo pouco-caso com o sofrimento alheio. Não era essa a intenção e, como não tinha como consertar o soneto, porque a emenda ficaria pior, achei por bem cancelar a coisa toda. Blog, internet, computador, em tudo isso se pode voltar atrás e consertar; desgraça, não.

2) Tem certas coisas que se pensa mas não se precisa falar. Atire a primeira pedra quem só tem as idéias mais meigas, fofas e Hello Kitty sobre a vida e o mundo.

Desculpas a todos e, vejam bem: não é censura, é auto-regulação.
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Coluna: Criada de Madame
por Sua Criada, às 13:21 de 02.10.2006

Rápido e depois eu volto. Atualizado.

Bem rapidinho que eu tô aqui tentando chupar cana, assoviar o hino nacional e botar a língua pra torcida: estou relativamente satisfeita. Segundo turno pra Presidente e Rigotox fora da disputa. Não que a Yeuda seja melhor, longe disso, mas ver o moço aquele tão triste que conseguiu fazer careta foi bem lindo, confesso. E a satisfação do Bigode? Mais faceiro que pinto no lixo.

Agora, Alagoas ter trocado Heloena Helisa por Voltando Collor de Mello é de se agachar no cantinho e pedir clemência, é ou não é?

E Severino também voltou nos braços do polvo. (Não, não voltou, graças).

Em compensação, Maluf é o mais votado do Brasil-il-il.

'Cês tão achando que é fácil? Quem quer moleza come minhoca que não tem osso.

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Coluna: Conversa de Madame
por Ticcia, às 08:52 de 02.10.2006
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