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Um manifesto pró realidade
Às vezes o que a gente precisa mesmo é de mais realidade e menos fantasia. Nada como um bom choque de realidade concreta e incontestável, mais realidade e fatos, dados, situações, circunstâncias, concretude, números absolutos, provas, evidências, indícios palpáveis, lógica, materialidade, preto no branco, análise fria, empirismo, matemática, dureza, crueza. Porque a gente sonha e idealiza, lembra do que quer, justifica, cria uma história outra em que a gente escolhe o mocinho, roteiriza, romanceia, ficcioniza, edulcora, enfeita, perfuma, ajeita, muda a luz, escolhe a trilha, põe a culpa nos outros, na puta vida, nos maus, no acaso, no destino, no bispo, no pato, traveste, filtra memória, esquece o que não interessa. Porque a gente fantasia, e vai vivendo de mentira, e vai vivendo bobamente e deixa de viver de verdade. Consciência, sim. Mesmo que ela traga em si e consigo uma versão bem mais triste de nós mesmos e do que a gente escolheu acreditar, mesmo que ela deponha contra nós, mesmo que ela desnude nossos piores medos (aqueles que a gente no fundo sabe que procedem). Mesmo que ela nos diminua e nos mediocrize, mesmo que ela nos apequene e enfeie, mesmo que ela nos desvalore. Consciência para viver a realidade e conhecê-la, para decidir se é boa e se nos serve e se, for o caso, mudá-la para fazer dela o que temos vontade que ela seja.
ver tabela de smileys:
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Camile comentou:
Se eu tivesse encomendado um texto para dar para uma pessoa ele não seria tão perfeito.Ele veio no dia certo.
Tu escreves lindamente!
às 10:11 de 28.01.2010